Sábado, 19 de Abril de 2008

Sergio Parra




Sergio Parra nasceu em 1963, na cidade de San Rosendo, no Chile. Vive há vários anos em Santiago, onde dirige a editora Metales Pesados. Publicou os livros La manoseada (1987), Poemas de Paco Bazán (1993) e Mandar al diablo al infierno (1998). Foi editor de Bajo el volcán, da importante revista Piel de leopardo e edita ainda, com Milton Aguilar, a revista Matadero.


--- Ricardo Domeneck

§


POEMAS DE SERGIO PARRA


AQUI ME TORNO MAIS USADA

para varrer seu quarto
espantar as moscas de sua cara
para que logo me ofenda
me estapeie até arrancar-me
sangue das narinas
para fazer sua janta
compartilhar o litro de vinho

para que logo me diga
amorzinho lindo
coisa fofa

arrancando-me a lágrima
deste vôo
e voltar à rua
cantarolando uma música do
Roberto Carlos

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

AQUÍ ME VUELVO MÁS MANOSEADA

para barrerte la pieza
espantarte las moscas de la cara

para que luego me insultes
me patees hasta sacarme
sangre de narices
para darte la comida
compartir el litro de vino
para que luego me digas
amorcito lindo
cosita rica
sacándome la lágrima
de este vuelo
y volver a la calle
silbando una canción de
Julio Iglesias


§

História

Corria
Corria

Enquanto metade da cidade nas ruas
rodeando a matriz me gritava
A nova Meireles
A nova Meireles
O prefeito me entregava diplomas
um pacote de livros
uma velhinha beijou-me as bochechas

METADE DA CIDADE NAS RUAS

até que
o filho de João o farmacêutico
me levou
ao morro das três marias
para
fazermos amor

DESDE ENTAO METADE DA CIDADE
ME BERROU A USADA DO MORRO
A POETISA DE QUATRO
A CUTUCADA

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

Historia

Corría
Corría

Mientras medio pueblo en la calle
Rodeando la plaza me gritaba

La nueva Mistral
La nueva Mistral

El al calde me entregaba diplomas
Un paquete de libros
Una viejita me besó las mejillas

MEDIO PUEBLO EN LA CALLE

hasta que 
el hijo de Juan el farmacéutico
me llevó
al cerro de las tres cruces
para
hacerme el amor

DESDE ENTONCES MEDIO PUEBLO
ME GRITÓ LA MANOSEADA DEL CERRO
LA POETISA EN CUATRO PATAS
LA REVOLCADA

§

SOBRE UMA CAMA 
EM UM HOTEL SIMPLÓRIO

abro minhas pernas

MAS VOCÊ NÃO VERÁ O ROSTO DE DEUS
NEM O SANGUE QUE PODE ALINHAVAR TEU
SOFRIMENTO

abro minhas pernas
E eu a usada fecho meus olhos

para que você ejacule no vazio

(tradução de Ricardo Domeneck)

:

SOBRE UNA CAMA
EN UN HOTEL SENCILLO

Abro mis piernas

PERO NO VERÁS LA CARA DE DIOS
NI LA SANGRE QUE PUEDE HILVANAR TU
SUFRIMIENTO
abro mis piernas
Y yo la manoseada cierro mis ojos

para que eyacules en el vacío

.
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