Sábado, 21 de Junho de 2008

Itamar Assumpção (1949 - 2003)

da série "Sintonia de nossa sincronia"

Itamar Assumpção nasceu no município paulista de Tietê, em 1949. Ativo desde o fim da década de 70, é um dos nomes mais importantes do grupo que ficou conhecido como Vanguarda Paulista, também chamado de Lira Paulistana, nome do teatro onde muitos deles se apresentaram entre 1979 e 1985.

Foi um dos mais criativos e populares poetas brasileiros trabalhando na fronteira das linhagens trovadoresca e experimental no fim-do-século. Sua discografia inclui os volumes I, II e III do Bicho de Sete Cabeças, além dos álbuns Intercontinental ! Quem Diria! Era Só o Que Faltava!!!, Sampa Midnight - isso não vai ficar assim e Beleléu, Leléu, Eu.

Itamar Assumpção morreu (cedo demais) na cidade de São Paulo, em 2003. Mas sua poesia lírica fica, e outros trovadores ainda estão entre nós.


--- Angélica Freitas & Ricardo Domeneck


§


POEMA LÍRICO DE ITAMAR ASSUMPÇÃO





Abobrinhas não
Itamar Assumpção

Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
sobre bugalhos
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite pro alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
idéias para azaléias
opinião para o limão, pimentão
abobrinhas não



§




Prezadíssimos Ouvintes
Itamar Assumpção

Muito prazer
Prezadíssimos ouvintes
Pra chegar até aqui tive que ficar na fila
Agüentar tranco na esquina e por cima lotação
Noite e aqui tô eu novo de novo
Com vinte e quatro costelas
O jogo baixo, guitarras, violão e percussão e vozes
Ligadas numas tomadas elétricas e pulmão
Já cantei num galinheiro
Cantei numa procissão
Cantei ponto de terreiro
Agora quero cantar na televisão
Meu irmão o negócio é o seguinte
É pura briga de foice
Um jogo de empurra empurra
Facão tiro chute murro
Chamam mãe de palavrão
Sorte não haver o que segure
Som senhores e senhores
Mas quem é que me garante
Que mesmo esses microfones
Sempre funcionarão?
Cantei tal qual seresteiro
Cantei paixão, solidão
Cantei canto de guerreiro
Agora quero cantar na televisão




.
.
.

3 comentários:

Luiz Coelho disse...

Estou mui encantado com a inclusão de Itamar Assumpção! Ponto pra vcs.

Anónimo disse...

Não sei se estou certo, mas acredito que estes versos:
"O novo não me choca mais\ Nada de novo sob o sol\ O que existe é o mesmo ovo de sempre\ Chocando o mesmo novo" são do Paulo Leminski, depois olhem no livro "Envie meu dicionário", pag. 118, de Paulo Leminski e Régis Bonvicino.

modo de usar & co. disse...

Caro, obrigado por apontar a gralha. Itamar Assumpção musicou poemas de Paulo Leminski, e houve um problema de edição, realmente. Corrigimos. Obrigado pela visita.