Itamar Assumpção nasceu no município paulista de Tietê, em 1949. Ativo desde o fim da década de 70, é um dos nomes mais importantes do grupo que ficou conhecido como Vanguarda Paulista, também chamado de Lira Paulistana, nome do teatro onde muitos deles se apresentaram entre 1979 e 1985.Foi um dos mais criativos e populares poetas brasileiros trabalhando na fronteira das linhagens trovadoresca e experimental no fim-do-século. Sua discografia inclui os volumes I, II e III do Bicho de Sete Cabeças, além dos álbuns Intercontinental ! Quem Diria! Era Só o Que Faltava!!!, Sampa Midnight - isso não vai ficar assim e Beleléu, Leléu, Eu.
Itamar Assumpção morreu (cedo demais) na cidade de São Paulo, em 2003. Mas sua poesia lírica fica, e outros trovadores ainda estão entre nós.
--- Angélica Freitas & Ricardo Domeneck
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POEMA LÍRICO DE ITAMAR ASSUMPÇÃO
Abobrinhas não
Itamar Assumpção
Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
sobre bugalhos
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite pro alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
idéias para azaléias
opinião para o limão, pimentão
abobrinhas não
Itamar Assumpção
Cansei de ouvir abobrinhas
vou consultar escarolas
prefiro escutar salsinhas
pedir consolo às papoulas
e às carambolas
pedir um help ao repolho
indagar umas espigas
aprender com pés de alho
sobre bugalhos
ouvir dicas das urtigas
e dessas tulipas
um toque pro miosótis
um palpite pro alpiste
uma luz da flor de lótus
pedir alento ao cipreste
e pra dama da noite
pedir conselho à serralha
sugestão pro almeirão
idéias para azaléias
opinião para o limão, pimentão
abobrinhas não
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Prezadíssimos Ouvintes
Itamar Assumpção
Muito prazer
Prezadíssimos ouvintes
Pra chegar até aqui tive que ficar na fila
Agüentar tranco na esquina e por cima lotação
Noite e aqui tô eu novo de novo
Com vinte e quatro costelas
O jogo baixo, guitarras, violão e percussão e vozes
Ligadas numas tomadas elétricas e pulmão
Já cantei num galinheiro
Cantei numa procissão
Cantei ponto de terreiro
Agora quero cantar na televisão
Meu irmão o negócio é o seguinte
É pura briga de foice
Um jogo de empurra empurra
Facão tiro chute murro
Chamam mãe de palavrão
Sorte não haver o que segure
Som senhores e senhores
Mas quem é que me garante
Que mesmo esses microfones
Sempre funcionarão?
Cantei tal qual seresteiro
Cantei paixão, solidão
Cantei canto de guerreiro
Agora quero cantar na televisão
Itamar Assumpção
Muito prazer
Prezadíssimos ouvintes
Pra chegar até aqui tive que ficar na fila
Agüentar tranco na esquina e por cima lotação
Noite e aqui tô eu novo de novo
Com vinte e quatro costelas
O jogo baixo, guitarras, violão e percussão e vozes
Ligadas numas tomadas elétricas e pulmão
Já cantei num galinheiro
Cantei numa procissão
Cantei ponto de terreiro
Agora quero cantar na televisão
Meu irmão o negócio é o seguinte
É pura briga de foice
Um jogo de empurra empurra
Facão tiro chute murro
Chamam mãe de palavrão
Sorte não haver o que segure
Som senhores e senhores
Mas quem é que me garante
Que mesmo esses microfones
Sempre funcionarão?
Cantei tal qual seresteiro
Cantei paixão, solidão
Cantei canto de guerreiro
Agora quero cantar na televisão

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3 comentários:
Estou mui encantado com a inclusão de Itamar Assumpção! Ponto pra vcs.
Não sei se estou certo, mas acredito que estes versos:
"O novo não me choca mais\ Nada de novo sob o sol\ O que existe é o mesmo ovo de sempre\ Chocando o mesmo novo" são do Paulo Leminski, depois olhem no livro "Envie meu dicionário", pag. 118, de Paulo Leminski e Régis Bonvicino.
Caro, obrigado por apontar a gralha. Itamar Assumpção musicou poemas de Paulo Leminski, e houve um problema de edição, realmente. Corrigimos. Obrigado pela visita.
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